Sunday, July 05, 2009

Cronenberg / Shyamalan



Há um equívoco no cinema contemporâneo. Aliás, não um, mas dois equívocos evidentes, só que se resumem em um mesmo fim, que se configura na má análise feita sobre dois cineastas, Cronenberg e Shyamalan.

O primeiro, um autor primoroso das estrtuturas de Hollywood, que se fez na década de 1980, principalmente por obras-primas como Videodrome (Idem, 1984) e The Fly (A Mosca, 1985). Por mais que o associam com o filme B dentro dos estúdios, ou o que é pior, um filme de terror da pior espécie, o que David Cronenberg realiza nas duas obras, e em sua filmografia, são questões da comunicação, da arte, de Frankfurt, do pós-modernismo. Os diálogos de A Mosca são tão ricos quanto ao discurso, que não se pode pensar que a criatura que se apresenta nas últimas cenas do filme, e essa deagradação temporal que é construída na montagem, seja apenas para causar um horror barato em quem assiste. A intenção real é discutir conceitos do homem-máquina de Habermas, da fragmentação da sociedade pós-moderna, de uma tara pela carne que a sociedade contemporânea mostra, contrapondo a questão da máquina, cada dia mais presente em nós. Inclusive, esse texto talvez não fosse possível sem a utilização dela. Em Videodrome, lhe é posta as mesmas questões, causando, através de um roteiro bizarro - o que causa a confunsão talvez - o hibridismo entre o Homem e a Máquina. Hibridismo que Cronenberg acredita ser prejudicial para o Homem.

O segundo, M. Night Shyamalan, também um autor incrível de Hollywood, passa pela mesma confusão. Associam suas obras a questões de cunho aterrorizador, de argumentos bizarros, ou como dizem, filmes de monstrinhos, esquecendo que em um filme como The Village (A Vila, 2004) se configura muito mais a partir de um estudo antropológico fodido da era Bush nos EUA, do que essas questões mais efêmeras da sua obra. O mito do super-herói que aparecerá no Unbreakable (Corpo fechado, 2000) também é muito mais interessante dentro daquela narrativa do que mesmo a questão dos quadrinhos, da infantilidade, como foi posto. Menores, Signs (Sinais, 2002) e The Happening (Fim dos tempos, 2007), tratarão de outros assuntos na narrativa, muito além do que é apresentado como pano de fundo.

A partir de uma técnica absurda de cinema, em decupagem fílmica, e em estudo de mise-èn-scene, estes cineastas tratam de assuntos profundos, em narrativas densas, pouco valorizadas. Como diz um cara que eu conheço, Cronenberg e Shyamalan estão fadados aos críticos de 20 anos, que vomitam informações prontas e originam suas opiniões de bombas que são soltas por aí, tendo uma visão altamente crua do estudo apresentado. E ele reafirma, são filhos bem nascidos que não sabem nada de cinema.

1 Comments:

Blogger Cláudio Coração é jornalista said...

Assino embaixo!

5:54 PM  

Post a Comment

<< Home